Simbolismo do Espaço Gráfico Ania Teillard

Texto extraído do livro: "El Alma y la Escritura"- Ed. Espanhola

Ania Teilard (1889-1978) psicanalista, grafóloga, de origem alemã, aluna de Jung e klages.

 

A análise da escrita é um ato de compreensão e de interpretação dos pequenos gestos fixados no papel.
 

Todos os movimentos e gestos humanos estão carregados de significados e contribuem para expressar a personalidade do indivíduo como um todo.
 

Quando observamos a expressão facial de uma pessoa, percebemos as características de euforia, de dor e de alegria sem termos necessariamente que refletir entre a causa e o efeito dos sentimentos e sua expressão. É suficiente captar instintivamente e intuitivamente o que a fisionomia expressa. Percebemos quando um sorriso é afetado ou sincero, ainda que não saibamos decidir que contração de músculos ou que combinação de contrações produzem a diferença entre o sorriso sincero e o afetado.
 

 O grafólogo pode se utilizar desta mesma compreensão para entender o psiquismo sem que necessariamente se atente para a origem ou a base mecânica do grafismo. É claro que é de grande interesse aprofundar-se e estudar as condições fisiológicas da escrita, porém não é indispensável para se fazer uma boa análise. A interpretação do grafismo está fundamentada na imagem, tal qual ela se apresenta, e não necessariamente sobre as condições de sua origem.
 

A escrita, ainda que seja um movimento fixado no papel, é essencialmente dinâmica. É uma das expressões mais espontâneas da atividade psíquica. É importante perceber que o movimento da escrita se compõe de dois movimentos diferentes: os movimentos de origem consciente e inconsciente.
 

As intenções conscientes, ou o desejo de produzir efeito, pode levar o escritor, por exemplo, a adotar uma escrita de "aparência", ou a imitar a escrita de uma pessoa a qual admira, mas apesar disso, elementos inconscientes se mesclam ao traçado na forma de pequenos sinais de inibição. Crepieux Jamim, em seu livro ABC de Grafologia, observava que os pequenos sinais, aparentemente insignificantes, tem mais valor que as formas atraentes das grandes letras. Não fazia, de qualquer forma, distinção entre os elementos conscientes e inconscientes do traçado. Max Pulver, baseado em uma concepção psicanalista, insiste muito nesta distinção.
 

As projeções do consciente e inconsciente se interpenetram no ato de escrever, tanto quanto o podem fazer os elementos de ordem coletiva e individual. A projeção, especialmente, joga um papel principal. "Todo elemento psíquico inconsciente, afirma Jung, se projeta para fora".
 

Ao escrever, projetamos no papel formas simbólicas, vivas em nós mesmos, que expressam nossa vida interior.

 

Modificamos assim as formas tradicionais, caligráficas, de acordo com as idéias conscientes e as imagens inconscientes que determinam nossa personalidade.
 

Toda produção inconsciente está fundamentada sobre as mesmas premissas, ou seja, toda representação psíquica ocupa o mesmo lugar no espaço. As mesmas representações arquetípicas, o mesmo simbolismo do espaço se encontra no sonho e na escrita.
 

Quando escrevemos nos colocamos em um espaço. A folha de papel representa o mundo onde evoluímos e cada movimento da escrita simboliza nosso comportamento neste mundo.

 

CONSIDERAÇÕES GERAIS

           

Combinando o significado do lado direito e do lado esquerdo e as três zonas descritas, chegamos a formar um esquema que vai servir de base à nossa análise da escrita. Pulver coloca este sistema de movimentos, esta topografia de zonas psíquicas, como o centro de sua Grafologia (O Simbolismo na escrita). Um primeiro esquema, muito mais primitivo, de zonas e de direção havia sido dado por Duparchy-Jeannez em seu Ensaio da Grafologia Científica.

 

É nessas diferentes zonas e direções que evolui a libido. A energia psíquica se manifesta em suas tendências expansivas ou intensivas, intelectuais ou materiais, especulativas ou realistas, e de acordo com a intensidade da escrita se encontram mais particularmente repletas ou animadas.

 

As considerações que precedem não seriam mais do que especulações vãs para o grafólogo se a experiência não as confirmasse. Com efeito, as naturezas ativas, atraídas pelo mundo exterior, que representam o lado direito, escrevem de uma forma mais destrógira que as naturezas passivas, e os intelectuais têm, de acordo com as observações dos grafólogos, uma tendência a soerguer as hastes mais do que as naturezas materialistas. Os extrovertidos adotam, geralmente, uma escrita mais inclinada para a direita e mais extensa do que os introvertidos.

           

Esta concepção das três zonas e das direções auxilia aos grafólogos na compreensão dos sinais gráficos sem que este seja obrigado a apreender na memória sua interpretação. O simbolismo do lado direito nos dá o simbolismo da escrita extensa ou progressiva. O simbolismo de acima e abaixo nos permite descobrir o significado da escrita prolongada. Evidentemente estas comprovações não excluem o estudo detalhado das diferentes espécies de escritas, porém as fazem mais vivas e dão, ao mesmo tempo, uma base sólida ao trabalho intuitivo do grafólogo.

 

Todo simbolismo é rico em matizes de múltiplas facetas. Uma rubrica, por exemplo, que evolui na zona inferior, pode indicar de acordo com as diferentes significações dessa zona, ou um predomínio das tendências sexuais, ou uma caída moral. Os acentos colocados altos podem expressar disposições intuitivas, aspirações espirituais, tanto quanto uma falta de sentido do real. É indispensável estudar as diversas possibilidades de interpretação, porém a linha diretriz é a mesma: um movimento feito acima indica uma tendência para a ordem intelectual, espiritual ou social; um movimento feito abaixo indica as tendências que correspondem ao simbolismo inferior.

 

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