Arquétipo - Complexo - Self

5 Mar 2016

O inconsciente coletivo é formado por arquétipos e estes são a base de toda a vivência humana.

 

Os arquétipos são, como nos diz Jung: "sistemas vivos de reação e prontidão que, por via invisível e, por isso, mais eficiente ainda, determinam a vida individual.". Complementa ainda seu pensamento dizendo ser o inconsciente coletivo a "fonte dos instintos" e os arquétipos as "formas de manifestação destes".

 

Os arquétipos são "possibilidades latentes" que recebem forma através do inconsciente pessoal e, portanto, das vivências pessoais, surgindo na consciência como uma imagem arquetípica. Sendo assim, toda imagem arquetípica tem sua raiz no inconsciente coletivo, no arquétipo, porém, surge carregada de significado pessoal.

 

O arquétipo é universal e imutável, diz Byington, sendo que é a sua forma de expressão ou manifestação consciente que evolui de acordo com o desenvolvimento da humanidade. 
 

Uma outra característica importante do arquétipo, segundo nos diz Jung, é a sua bipolaridade: "Assim como todos os arquétipos têm um caráter positivo, favorável, claro e orientado para cima, do mesmo modo eles têm também um aspecto orientado para baixo, em parte negativo e desfavorável e, em parte, apenas terrestre."


É por meio dos arquétipos, ou a partir, deles que surgem os complexos, sendo que estes são formados por um grupo de idéias ou imagens carregadas emocionalmente na psique inconsciente.

 

Segundo Jacobi, Jung introduziu a noção de complexo, a princípio, partindo da teoria psicanalítica, definindo então o complexo como sendo um "agrupamento de idéias de acento emocional no inconsciente". O complexo teria, segundo ele, um elemento nuclear, arquetípico e, portanto, fora do alcance da consciência, entendendo por consciência a superfície que cobre a vasta área do inconsciente e que se caracteriza por certa estreiteza, uma vez que ela só consegue apreender poucos dados simultâneos num dado momento, sendo que todas as percepções restantes são inconscientes, de acordo com Jung: "É impossível estabelecermos continuamente uma imagem de totalidade devido à própria limitação da consciência. A nossa possibilidade restringe-se à percepção de instantes de existência".

 

Outra característica do complexo é ser constituído por uma série de associações que ocorrem ao longo da vida do indivíduo e que estão ligadas a este núcleo inicial de acordo com as disposições naturais somadas às vivências externas. São justamente estas associações que fortalecem o complexo, tornando-o carregado de energia psíquica e fazendo com que adquira, caso não se torne consciente, cada vez mais autonomia, podendo surgir como uma personalidade própria e opor-se à vontade consciente.

 

A dissolução do complexo é um dos pontos básicos da psicoterapia junguiana, pois ela tem como principal objetivo a ampliação da consciência e conseqüente liberação da energia psíquica que pode ser redistribuída, proporcionando assim maior equilíbrio psicológico. 
 

Contudo, os complexos não podem ser entendidos apenas como um atributo neurótico. Mais do que apenas uma "doença", eles formam a estrutura da psique, sendo o seu núcleo central o arquétipo e, como nos diz Jacobi:

 

"o que provêm do inconsciente coletivo jamais é material 'doente', doentio só pode ser o que vem do inconsciente pessoal e nele sofre uma transformação e recebe uma coloração específica, resultante da sua inclusão numa esfera de conflito individual".


Jung considerava a capacidade de desenvolvimento da psique como um evento arquetípico, uma vez que este processo é comum à todos os seres humanos.

 

O inconsciente é a matriz de nossa consciência, ou seja, a psique se estrutura a partir do inconsciente. No início do desenvolvimento psíquico, o indivíduo gradativamente passa a se perceber como um “eu” separado do todo, desenvolvendo o que Jung chamou de complexo de ego.

 

O ego emerge do inconsciente e vai se tornando cada vez mais consciente, tendo como principal função a intermediação dos conteúdos do inconsciente (pessoal ou coletivo) e a consciência, discriminando e organizando a percepção da realidade. É ele quem escolhe e decide, faz julgamentos críticos e de valor, é regente das escolhas práticas e das escolhas morais e éticas. O ego envolve o sentido de continuidade psíquica e corporal em relação ao espaço e ao tempo, sendo o centro do sentimento de identidade.O desenvolvimento do ego está, portanto, estreitamente relacionado ao Self.

 

O Self é o arquétipo da totalidade e o centro da nossa psique, ao mesmo tempo que é o centro do inconsciente. Ele é a totalidade e é quem rege o desenvolvimento da personalidade intermediado pelo ego, uma vez que é o Self que apresenta os conteúdos ao Ego e ao mesmo tempo depende do ego para ser reconhecido como uma realidade simbólica.

 

A comunicação entre ego e Self é de extrema importância para que haja a atualização das potencialidades do indivíduo e a ampliação da consciência, levando-o ao processo da individuação, onde o ego passa a reconhecer o Self como algo interno e maior do que ele.

 

Segundo Jung: “O eu é o sujeito apenas de minha consciência, mas o Sef (si-mesmo) é o sujeito do meu todo, também da psique inconsciente. Neste sentido o Self (si-mesmo) seria uma grandeza (ideal) que encerraria dentro dele o eu.”

 

 

Bibliografia

 

JACOBI, Jolande. Complexo, Arquétipo e Símbolo na Psicologia de C. G. Jung. S. Paulo: Cultrix, 1995.

JUNG, C. G. Tipos Psicológicos . S. Paulo: Vozes, 1991.

JUNG, C. G. Fundamentos da Psicologia Analítica. S. Paulo: Vozes, 1985.

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